terça-feira, 30 de junho de 2009

Aposentada pede ajuda para manter 400 cães e gatos em São Leopoldo

Marina Pereira transformou pátio de sua casa em canil para os animais de rua.

São Leopoldo - O amor pelos animais fez com que a aposentada Marina Cândido Pereira, 72 anos, transformasse sua propriedade localizada na Estrada Maria Emília de Paula, bairro Campestre, em São Leopoldo, em um grande canil. Há cerca de sete anos ela começou a recolher e cuidar de cães e gatos que eram abandonados nas proximidades de onde mora e hoje contabiliza 400 animais que recebem alimentação, água e cuidados básicos, além de muito carinho. Viúva, dona Marina conta com o auxílio de apenas uma moça e se utiliza dos dois salários mínimos que recebe, por aposentadoria própria e pensão do marido, para manter o trabalho junto aos bichos.

‘‘Não posso ver animais largados na rua, pois se trata de uma vida que merece ser preservada. Tenho poucos recursos e muitas vezes deixo de comprar comida para mim para comprar ração, pois são mais de 60 quilos por dia dados aos cães e gatos’’, destaca ela. Dona Marina afirma ainda que enquanto tiver forças continuará o trabalho. ‘‘Não vou deixar que mais animais sofram. Por isso, vou manter o canil enquanto puder e tenho medo do que vai ocorrer quando não puder mais cuidar deles.’’

Consciente de que faz tudo pelo amor aos seus animais, dona Marina não se queixa das dificuldades. ‘‘Recebo poucas doações e já chorei muito, mas agora só penso em trabalhar. Porém, tenho de dizer que doações como ração e material de construção são sempre bem-vindas, pois irão ajudar em melhorar as condições de atender a todos os cães.’’

Doações

Segunda ela, uma moradora de Canoas doou recentemente seis casinhas e deve enviar mais na próxima semana. Quem quiser colaborar com o canil mantido pela aposentada pode obter mais informações pelos telefone (51) 3575-34611.
De acordo com o secretário municipal de Comunicação Social de São Leopoldo, Ibanês Mariano, a aposentada deve procurar a Prefeitura por meio do Centro Municipal de Proteção dos Animais (Cempa), criado a partir do rompimento dos convênios que o Município mantinha com a Associação Leopoldense de Proteção aos Animais (Alpa) e que é hoje responsável pelo recolhimento e trato destes animais. ‘‘Este tipo de serviço é público e, com certeza, se essa senhora nos procurar será bem atendida e iremos avaliar a situação do trabalho dela para ver o que pode ser feito. Há um recurso destinado para o tratamento de animais de rua (R$ 6 mil mensais) que pode ser aproveitado mediante as possibilidades.’’

Trabalho e recuperação de cães doentes

Moradores próximos à casa de Marina destacam o valor do serviço prestado por ela. ‘‘Tem gente que reclama, mas o trabalho dela é fundamental. Há cerca de um mês estava voltando de moto do trabalho, por volta das 7 horas, quando vi uma menina agachada olhando um saco no chão. Parei para ver se ela precisava de ajuda e vi que no saco estavam dez filhotes abandonados. Procurei a dona Marina e ela acolheu a todos’’, comentou o metalúrgico Gilson Santo da Silva, 39 anos.

O médico veterinário Claúdio Giacomini afirma que os proprietários de cães devem se conscientizar da responsabilidade que têm sobre os animais. Ele aproveita para lembrar que todo o cão doente pode ser tratado e curado, dependendo do tipo de doença e do estágio em que ela se encontra. Segundo ele, sarnas e bicheiras são enfermidades comuns e na maioria dos casos resolvidas com cuidados básicos de higiene, alimentação e uso de medicamentos. ‘‘É só o veterinário que pode recomendar sacrifício.’’

Sobre as doenças, ele destaca ainda que existem vários tipos de sarna, desde as mais fracas, nas quais apenas com um banho de sarnicida se cura, até aquelas que não são curáveis, pois o parasita fica dentro do folículo do pelo. ‘‘Mas estas são controladas com medicação. Porém, quando há baixa de imunidade, pode se manifestar novamente. Já a bicheira, só se for muito profunda e tiver atingido algum órgão para não ser reversível.’’ Segundo ele, cães são passíveis de tumores com lesões que comprometem a saúde.

Foto: Tiago da Rosa/GES.
Fonte: Diário de Canoas

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